Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

Covilhã recusa fecho de escolas

Diz que escolas de acolhimento não têm condições para acolher alunos

A Câmara da Covilhã não quer nenhuma escola do concelho encerrada este ano lectivo. A autarquia enviou uma carta, esta segunda-feira, 12, dirigida a Helena Libório, directora Regional de Educação do Centro, a dar conta da sua posição quanto ao assunto.

Na missiva assinada por Carlos Pinto, presidente da Câmara Municipal, e que surge no seguimento da reunião entre o município e a Direcção Regional de Educação do Centro, no início do mês, o município argumenta que “as actuais escolas (Salas de Apoio) têm melhores condições que as escolas de acolhimento”. Carlos Pinto fala ainda num “compromisso da DREC (…) de que estas escolas (Salas de Apoio) funcionariam até à construção/requalificação/ampliação dos respectivos Centros Escolares”, para justificar a sua posição.

Tendo em conta as declarações de Isabel Alçada, ministra da Educação, nas quais era expresso que as escolas com menos de 21 alunos só encerrariam se as respectivas autarquias concordassem, a Covilhã pode estar com um pé fora do mapa de encerramento de escolas.

Contudo, o autarca covilhanense diz estar disposto “a analisar o procedimento sobre a matéria e um eventual acordo – ponderadas as circunstâncias supra – com efeitos a partir de 2011/2012”.

No próximo ano lectivo, as escolas da freguesia do Barco, Coutada, São Jorge da Beira, Ourondo, Casegas e Vales do Rio podem voltar a passar por um cenário de encerramento. Em caso de fecho, os alunos das seis escolas em causa passarão a ter aulas no Tortosendo e Paul.

Também os vereadores socialistas Vítor Pereira e João Correia já haviam, em Junho, discordado da intenção do Governo.”Não é possível criar uma política credível de desenvolvimento do Interior se começarmos a deitar abaixo alguns aspectos estruturantes”, frisou, na época, João Correia.




AUTARCAS APLAUDEM MEDIDA

Os presidentes das Juntas de Freguesia do Barco, Coutada, Casegas, Ourondo, São Jorge da Beira e Vales do Rio apresentaram uma moção na última reunião da assembleia municipal onde enaltecem a postura seguida pela câmara da Covilhã que rejeitou o encerramento das escolas do 1º ciclo naquelas localidades.

João Casteleira, presidente da junta de freguesia de Vales do Rio foi o porta voz da revolta sentida pelos autarcas "trata-se de uma medida completamente cega por parte do ministério da educação que pode contribuir para a morte das nossas aldeias; não podemos aceitar esta situação pois nenhum dos presidentes de junta foi chamado para discutir este problema e foram feitos avultados investimentos na melhoria do parque escolar".


Uma moção onde os autarcas mostram a sua "solidariedade para com a posição da câmara da Covilhã que decidiu não dar parecer favorável ao encerramento das nossas escolas; é uma postura que aqui enaltecemos pois, doutra forma, a desertificação das nossas aldeias vai cada vez ser mais preocupante".